quarta-feira, 21 de novembro de 2012

PLANO DE ENSINO 
PLANO DE ENSINO   (PDF)

UNIDADE I
TUTORIA NAS MODALIDADES DA EAD






O papel do professor na EAD é responsável pelo conteúdo das disciplinas e pela parte pedagógica.  Já o papel do Tutor é de facilitador do ensino e acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem.  
experiência
Não existe um padrão para as funções de um Tutor ela se baseia na proposta pedagógica oferecida ou mesmo o perfil da instituição que pode varias suas funções.
 Os tutores devem conhecer as ferramentas de ensino e serem capazes de ajudar os alunos a usá-las. Outra competência importante é a capacidade de estabelecer um bom relacionamento com os alunos que os motive a participar ativamente das atividades e permanecer no curso.
 De acordo com Rita Maria Tarcia, professora da Unifesp e diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), é possível identificar quatro modelos de tutoria. O primeiro é chamado de Semipresencial I, no qual o tutor exerce atividades a distância, por meio de fóruns e chats, além de atendimento presencial. O segundo é o Semipresencial II, também com atividades a distância, mas com atendimento presencial referente à tecnologia. O terceiro é chamado de bimodal, o qual mescla a tutoria a distância com encontros presenciais obrigatórios. O quarto seria a tutoria exclusivamente vir­tual.

1.                 função pedagógica do tutor online envolve fazeres significativos no campo pedagógico, que são: a) auxiliar os alunos na exploração dos materiais do curso; b) praticar intervenções que estimulem a criticidade dos alunos; c) planejar e propor estatégias; d) traçar objetivos; e) construir planos de estudo.

2.                 função social do tutor é incentivar a formação de comunidades virtuais, motivando os alunos a sentirem prazer nas práticas interativas ou colaborativas.

3.                 Na função gerencial, o tutor assume a posição de administrador do curso na Web, garantindo o bom andamento do curso, agendando e gerenciando fóruns echats, mediando discussões, negociando regras, determinando diretrizes.
4.                 função técnica está vinculada ao conhecimento e às tecnologias. O tutor deve conhecer bem a tecnologia e ser capaz de fazer com que todos os alunos se sintam confortáveis no uso dos instrumentos necessários à comunicação online.  (MELO, 2008)


Modelo 2 – Aprendizagem Independente:  Neste modelo, os alunos podem fazer o curso, independentemente do local onde estão, e não precisam se adequar às escalas fixas de horário. Os estudantes recebem vários materiais de estudo, incluindo um programa de curso. A instituição coloca à disposição do aluno, monitor ou tutor que o acompanhará, fornecendo orientações, respostas e avaliando seus exercícios e testes.
O Papel do tutor é  interagir com o estudante é viabilizar a aprendizagem  através de variadas tecnologias, tais como: telefone, fax, chat, correio eletrônico,
etc.
Tutores virtuais são responsáveis pelo acompanhamento pedagógico de um grupo de alunos e, ou, de um grupo de tutores presenciais, por meio de tecnologias virtuais. Este trabalhador é especialista na área de conhecimento da disciplina em que trabalha e está subordinado, em todos os sentidos, ao coordenador desta disciplina. Etimologicamente, ele é a imagem mais próxima do professor da educação tradicional. (MILL)

Modelo 3 – Aprendizagem Independente e Aula:    Aprendizagem Independente e Aula: Este modelo envolve a utilização de material impresso e outras mídias, tais como fita de videocassete, (...), CD--ROM ou DVD, que possibilitam ao aluno estudar no seu próprio ambiente
 Tutores presenciais ou locais, responsáveis pelo acompanhamento de um grupo de alunos do curso (em todas as disciplinas). Não é, necessariamente, especialista em nenhuma área de conhecimento (disciplina) do curso e sua função é pouco mais que assessorar os alunos no contato com o tutor virtual e com a instituição. Por vezes, são denominados de monitores.
Técnicos e monitores, responsáveis pela viabilização técnico-pedagógica da comunicação, pela produção de material didático etc. (são animadores, webdesigners, informatas, digitadores, desenhistas ou um pouco faz-detudo).

Contudo nos dois modelos vimos a importância do tutor e na introdução a plataforma  onde ele exerce  o papel de mediador e  viabilizador onde motiva os alunos na realização das tarefas.  A mediação passa pela introdução as características tecnológicas que são utilizadas na aprendizagem.

Nas palavras do autor “  tratando-se de construção do saber, a tutoria é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de estudo, estimulando e provocando o participante a construir o seu próprio saber, partindo do princípio de que não há resposta feita, a cada um compete criar um pronunciamento marcadamente pessoal  (EMERENCIANO; WICKERT,1998)“.  

O desafio na EAD passa também pela aprendizagem introdutória a plataforma de estudo, onde o aluno precisa do tutor para  apresentar as tarefas e construir o conhecimento dominando os  componentes e meios de comunicação que  estão estabelecidos na plataforma de aprendizagem.
Nos dois modelos  o domínio do que esta sendo proposto e o domínio da plataforma são condições essenciais aos tutores para motivar os alunos na realização das tarefas. O conhecimento das práticas pedagógicas aliadas as atribuições técnicas são condições para uma boa tutoria
Belo Horizonte 27 de julho de 2012


Didática do Ensino a Distância

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PETERS, Otto. Didática do ensino a distância: experiências e estágio da discussão numa visão internacional. Trad. Ilson Kayser. São Leopoldo, RS: Ed. Unisinos, 2001. Resenha por João Mattar.
Este é um daqueles livros que vale a pena ter, já que merece ser lido várias vezes, por causa de sua densidade teórica e da quantidade de exemplos e bibliografia analisados. O original é de 1997, mas mesmo com um tema que exige atualizações constantes, carrega alguns ensinamentos que não tendem a ficar datados.
O autor foi fundador e primeiro reitor da Fernuniversität – Universidade a Distância, na Alemanha.
O título já é provocador: poderíamos falar em uma didática do ensino a distância? Este é o tema da interessante introdução do livro, que defende uma didática pluralista para a EaD, incluindo os seguintes princípios teóricos: a tradição do ensino acadêmico, a didática do ensino superior, a didática da educação de adultos e da formação complementar, a pesquisa empírica do ensino e da aprendizagem, a tecnologia educacional, a telecomunicação eletrônica, os resultados científico-sociais e a didática geral, como disciplina pedagógica.
No cap. 1, “Levantamento de Dados”, Peters destaca cinco características que distinguiriam a educação a distância de outras formas do ensino superior: a combinação específica de algumas das formas de ensino e aprendizagem convencionais, o aproveitamento específico de meios técnicos (como a teleconferência e o computador pessoal), a combinação entre acessibilidade e interação (ou diálogo), o tipo especial de estudante e as formas específicas de institucionalização (single mode, dual mode ou mixed mode).
No cap. 2, “Distância e Proximidade”, o autor procura dar conta da dialética entre esses dois termos através de cinco modelos teóricos para o ensino a distância: da correspondência, do diálogo (ou da simulação escrita de uma conversação didática entre docentes e discentes), do professor (mais didático que os anteriores), do tutorial (ou aconselhamento) e da transmissão eletrônica (com audiocassetes, por exemplo). Por fim, ele discute o conceito de “distância transacional”, desenvolvido por Michael Moore, que envolve o maior ou menor diálogo entre alunos e professores, assim como o quanto o caminho a ser seguido no estudo está pré-fixado para o estudante (ou o que Moore denomina estrutura e autonomia).
No cap. 3, “Três Concepções Constitutivas”, Peters aprofunda o estudo teórico dos conceitos de diálogo, estrutura e autonomia.
No cap. 4, “As três Concepções na Prática”, o autor estuda as três concepções vinculadas à distância transacional em diversas universidades.
No cap. 5, “Concepções Modificadoras”, Peters começa analisando os conceitos de open learning e ‘educação permanente’ para, em seguida, tratar da transição entre o ensino industrializado para o ensino pós-moderno, tema principal de outro livro do mesmo autor traduzido em português, “A Educação a Distância em Transição”, do qual fiz uma outra resenha. É esta parte do livro que mais nos interessa, tanto que discuti e desenvolvi essas questões em meus livros ABC da EaD e Second Life e Web 2.0 na Educação.
O interesse inicial pelo ensino a distância se deve a empresários interessados em ganhar dinheiro, não em educar. Teria ocorrido, então, uma revolução nos métodos de ensino e aprendizagem, através da divisão e do planejamento do trabalho, tendo o ensino se tornado mecanizado (e mais tarde automatizado), padronizado, normado, formalizado, objetivado, otimizado e racionalizado. O ensino torna-se, em suma, industrializado, produzido e consumido em massa, através da alienação tanto do docente quanto do discente, e da utilização de uma linguagem não-contextualizada, para o que contribui decisivamente o modelo da Open University inglesa. Este modelo fordista poderia ser considerado ultrapassado.
O neofordismo envolve alta inovação no produto e alta variabilidade nos processos, mas pouca responsabilidade dos empregados. Não são mais produzidos grandes cursos, mas sim cursos menores que podem ser atualizados constantemente.
O pós-fordismo agrega à alta inovação na produção e à alta variabilidade nos processos, um alto nível de responsabilidade no trabalho. Os cursos devem ser produzidos on demand e just in time. A divisão do trabalho é, no limite, eliminada. Os cursos, dessa maneira, poderiam ser produzidos e adaptados rapidamente. Citamos então Peters:
“Isso, por sua vez, obrigaria as universidades a distância a modificarem igualmente seus processos de trabalho. Em lugar do desenvolvimento e produção na base da divisão do trabalho e sob controle central, seriam formados muitos pequenos grupos de trabalho descentralizados, com responsabilidade própria pelo desenvolvimento de suas propostas específicas de ensino, sendo, por isso, dotados de maior autonomia – também para fora. Mas o que é ainda mais importante: as formas clássicas de ensino e aprendizagem no ensino a distância (cursos padronizados, assistência padronizada) deveriam ser substituídas ou complementadas por formas muito flexíveis quanto a currículo, tempo e lugar (variabilidade dos processos). Conceitos como estudo autônomo, trabalho autônomo no ambiente de aprendizagem digital, teleconferência, aconselhamento pessoal intensivo, estudo por contrato e combinação com e a integração de formas do ensino com presença indicam em que direção poderia ir o desenvolvimento. Isso equivaleria a uma revolução.” (p. 208)
E mais à frente, o que talvez nos interesse ainda mais:
“Como a exagerada divisão do trabalho é revogada e se busca a descentralização, as clássicas equipes de desenvolvimento de cursos já não têm mais razão de ser. Em seu lugar são desenvolvidos cursos variáveis e de curta duração por grupos de trabalho em áreas especializadas e de trabalho com responsabilidade própria. Os professores universitários integram esses pequenos grupos de trabalho, que passam a ser responsáveis por todas as etapas de seus cursos, não apenas pelo planejamento e o design como também pela produção, distribuição, avaliação e pelo acompanhamento continuado do curso. Para isso também deveriam dominar técnicas de produção na área gráfica e de vídeo, o que, inclusive, é facilitado por modernos meios técnicos [...]. Enquanto que até agora os meios técnicos tendiam a favorecer a divisão do trabalho no ensino, com esses novos meios eletrônicos as operações podem ser novamente reunidas.” (p. 213-214).
Este capítulo ainda explora as características do ensino pós-moderno a distância, em que podem ser colocados em dúvida praticamente todos os pressupostos da educação, e que talvez só tenha condições de se estabelecer em novas instituições de ensino, marcadas desde o seu nascimento por princípios radicalmente flexíveis e inovadores.
No capítulo 6, “Informação e Comunicação”, Peters explora as inovações associadas ao progresso da tecnologia.
No cap. 7, “Modelos de Ensino e Aprendizagem de Instituições Específicas”, novamente o autor realiza estudo de casos em diversas instituições de ensino.
O livro termina com um capítulo curto, “Análises e Perspectivas”, que, apesar do título, fala muito pouco de futuro, seguido de uma variada bibliografia.
Enfim, um livrão!!